O DIA DE VAL
Hoje à noite, dia 13 de abril de 2005, o nosso querido Val – este que está na foto aí abaixo com as crianças – irá receber o prêmio JOVEM BRASILEIRO (em comemoração ao Dia Internacional do Jovem Trabalhador), o que nos deixa muito felizes e orgulhosos, por tudo o que carrega de representativo a vida deste jovem.
Os primeiros contatos que fizemos com ele foram por indicação de outros participantes de projetos em nossa Associação. A amizade e aproximação com estes significavam um claro sinal de busca por ‘novos caminhos’, uma vez que os anos que antecederam este nosso encontro tinham sido marcados por todos os tipos de experiências negativas.
Desde então, pudemos acompanhar uma das experiências mais gratificantes da história de nossa Associação: um menino agarrado, consciente e inconscientemente, a uma tênue linha de esperança.
É importante deixar claro que a Associação Rainha da Paz não fez mais do que cumprir sua missão, mas o desafiador trajeto de uma personalidade violentada e agressiva até a experiência sutil da convivência em grupo, do respeito mútuo, do companheirismo e, principalmente, da possibilidade de confiança no outro, está sendo trilhado e assumido todos os dias pelo nosso querido Val, motivo pelo qual foi indicado para o prêmio.
No Projeto Fofinhos e Saudáveis – um programa de combate à desnutrição materno-infantil – do qual ele está participando ativamente desde o início e que já atendeu mais de 100 crianças, medindo, pesando, acompanhando o desenvolvimento e crescimento de cada uma delas, além de oferecer acompanhamento médico homeopático e distribuição de multimistura. É como se pudéssemos ver Val cuidando das crianças de nossa comunidade, para que não tenham que repetir o árduo caminho trilhado por ele. Parabéns Val. É muito bom vê-lo cada vez mais próximo daquilo que tanto queremos para todos os nossos jovens: tornar-se um verdadeiro cidadão.
Escrito por Vozes da Comunidade às 14h55
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O PALHAÇO
Outro dia me emocionei com a beleza de uma cena: um menino – Lucas, 3 anos – sorrindo, da forma mais pura e linda do mundo, ao assistir a apresentação do grupo de teatro aqui da Rainha da Paz. Ele era uma coisa linda, sentado numa cadeira bem maior que ele, ao lado de suas duas priminhas, gêmeas, da mesma idade que ele e fofíssimas também.
Fiquei tentando entender a minha emoção: talvez os filhos que não tive; talvez por estarmos conseguindo produzir coisas bonitas e boas para estas crianças da Favela; talvez por estar presenciando um momento único, perfeito, em que a arte, a vida e o mundo ganhavam sentido.
Hoje encontrei a tia de Lucas, junto com as duas meninas, e ela me contou que ele, ao chegarem em casa naquele dia, contou a peça quase inteira para a mãe, que ele queria ser o palhaço, convidou as duas primas, que assumiram outras duas personagens (a cigana e a nordestina) e ‘representaram’ o que viram para a mãe de Lucas. Um circo inteiro, imaginário e brincante, ficou saltitando em minha mente.
Escrito por Vozes da Comunidade às 14h05
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